Edição número 26

Esta edição guarda semelhança com a de quatro anos atrás, na qual foram aborda- dos os desafios do presidente da Repúbli- ca no quadriênio 2011-2014. Na ocasião, sete conceituados jornalistas brasileiros escreveram sobre as perspectivas do governo da presidente Dilma Rousseff, que estava virtualmente eleita quando o número 11 circulou. O presidente Lula deixava o... Leia o artigo

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Artigos desta edição

Bruno Paes Manso, Renato Sérgio de Lima

Os Desafios dos Candidatos na Segurança Pública

O número real de assassinatos no Brasil é de cerca de 60 mil ocorrências anuais. Se é verdade que o Brasil tem melhorado seus indicadores econômicos e sociais, o quadro de violência do país indica a convivência com taxas de crimes letais muito superiores às de outros países, o que nos coloca no ranking das sociedades mais violentas do mundo. Isso sem contar as altas taxas endêmicas de outros crimes violentos (roubos, sequestros, lesões, mortes pela polícia, etc.). O país gasta o equivalente a países desenvolvidos e, nem por isso, consegue reverter o quadro de medo e insegurança. Uma das lições de países que conseguiram reformar suas polícias, co- mo Irlanda e África do Sul, é que quando a atividade policial deixa de ser autônoma e passa a responder à lógica das políticas públicas muito se ganha.

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Carlos Eduardo Lins Da Silva

Dilma se Afasta do Itamaraty, e Brasil Perde Espaço no Mundo

O artigo faz uma análise completa dos principais temas da política externa brasileira no governo de Dilma Rousseff e constata o pouco apreço da presidente pelas relações exteriores e pela diplomacia. O autor, editor da revista Política Externa, diz que após 16 anos de exercício intensivo da diplomacia presidencial, com os presidentes Fernando Henri- que Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, o país se vê com uma agenda externa enfraquecida, com presença limitada nos principais fóruns mundiais e incapaz de exercer liderança natural na América do Sul. De fato, há baixa prioridade do Itamaraty na agenda presidencial. Nestes três anos e meio, o Brasil perdeu relevância no cenário mundial, deixou de aproveitar grandes oportunidades para consolidar conquistas obtidas nas duas décadas anteriores, omitiu-se em questões vitais e cometeu erros diplomáticos que eram incomuns no passado.

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Izabella Teixeira

Os Novos Caminhos da Política Ambiental no Brasil

A autora, ministra do Meio Ambiente, advoga a necessidade de rupturas e de um movimento político mais ambicioso que dialogue com o novo ambientalismo, motivado pela sustentabilidade e por um desenvolvimento mais inclusivo e justo. Ela propõe uma nova arquitetura política para a agenda ambiental no Brasil, pois se esgotou o modelo atual das políticas ambientais, predominantemente orientado para o controle ambiental. Os próximos caminhos de governança ambiental transcendem o Ministério do Meio Ambiente. Uma primeira ruptura diz respeito à política ambiental como alavanca para desenvolvimento de mercados, geração de empregos, desenvolvimento tecnológico e inclusão social.

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Marta Arretche

Déficit de Representação ou Falta de Consensos Mínimos: O Que Paralisa as Políticas?

Sob o regime democrático contemporâneo, firmou-se um pacto nacional, que concedeu grande prioridade de gasto às políticas de educação e saúde bem como à elevação sustentada da renda. Se isto é verdade, por que razão os temas que são objetos destas políticas permanecem sistematicamente na lista de preocupações dos eleitores? Parte da explicação se encontra em uma elevação das expectativas. Enfrentar a gravidade e a extensão de nossos problemas nas áreas de segurança pública e infraestrutura urbana requer grandes aportes de recursos e políticas estáveis e sustentadas de longo prazo.

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José Gregori

Direitos Humanos: até onde Vão, com Quem e para Quê?

Na concepção moderna, os direitos humanos devem estar presentes em todas as dimensões da vida: na casa, na família, na escola, na fábrica, no trabalho, na empresa, nas ruas, no trânsito, no clube, no banco, nas diversões e na viagem, pois assumiram o social, o econômico, o cultural e o existencial. Nada mais propício a este momento de inquietude e busca de caminhos do que o fato de estarmos no limiar de uma eleição presidencial. Nas democracias, é o mo- mento, por excelência, para expressar reivindicações e cotejá-las entre as várias visões dos que pretendem dirigir o país. As prioridades apontam para três polos: como melhorar a igualdade da distribuição de renda; como tornar o complexo policial-judiciário mais eficiente na diminuição da impunida- de; como transferir aos jovens, via educação pública, particular e familiar, os valores de respeito que signifiquem uns agirem em relação aos outros com espírito de fraternidade e solidariedade.

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José Augusto de Castro

Os Desafios do Comércio Exterior nos Próximos Quatro Anos

Entre os dez maiores PIBs mundiais, oito países também estão incluídos entre os dez maiores exportadores. O Brasil é uma das duas exceções, ao ocupar a sétima posição no PIB, mas alcançar apenas a 22a classificação como país exportador. Por que o Brasil não é um grande player no comércio internacional? A resposta a esta indagação deve-se mais a fatores de ordem interna, representados por entraves e deficiências, e menos a razões externas. Esses problemas precisam ser eliminados mediante a realização de reformas estruturais, e não através de medidas conjunturais, que são meros paliativos.

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Simão Davi Silber

Os Desafios da Política Econômica do Próximo Governo

A discussão foi dividida em dois períodos: 2015 e 2016 em diante. O grande desafio para 2015 é reduzir a inflação, e o principal instrumento é a contenção do crescimento desordenado das despesas do governo federal. A ênfase da análise no segundo período está concentrada em dois grandes de- safios: aumentar a inserção da economia brasileira no mercado internacional e avançar no ajuste e na reforma fiscal para criar um ambiente de negócios mais adequado à expansão dos investimentos produtivos e dos ganhos de produtividade.

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Eliane Cantanhêde

Expectativas e Frustrações

Em sua edição de outubro-dezembro de 2010, “Interesse Nacional” reuniu sete jornalistas brasileiros de ponta e de diferentes áreas para uma espécie de balanço do governo Lula e também
para projeções sobre o que seria o futuro gover- no, com Dilma Rousseff então já considerada virtualmente eleita. Como convinha, foram todos cautelosos, diz a jornalista Eliane Cantanhêde, colunista da Folha de S. Paulo, a quem o Conse- lho Editorial desta revista confiou a tarefa de re- alizar uma releitura dos textos dos colegas para, quatro anos depois, detectar quais foram as pro- messas cumpridas, os erros, os acertos e os desa- fios para a próxima administração.

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