Edição número 23

Na década de 1980, Brasil e Estados Unidos viveram conflitos tecnológicos relacionados à lei brasileira de reserva de mercado para a informática. Nas últimas semanas, o que se viu foi um conflito de inteligência cibernética entre os dois países. A Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA monitorou e-mails, telefonemas e mensagens de celular da... Leia o artigo

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Artigos desta edição

Salvador Raza

A Cassandra Cibernética ou Porque Estamos na Contramão da Tecnologia e Ninguém no Governo Quer Acreditar

A crise provocada pela revelação de que a presidente Dilma Rousseff e seus assessores são monitorados pela Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA mostra que o Brasil é extremamente vulnerável. As evidências divulgadas de inteligência cibernética, em âmbito global, postulam que as redes de comunicações e de controle de infraestruturas críticas foram todas violadas, permitindo e construindo a condição para o implante de bombas lógicas: dispositivos dormentes em softwares de sistemas críticos, prontos para serem ativados em dadas circunstâncias pré-definidas, com capacidade de destruir as condições de sustentação da segurança em seus sete domínios: ambiental, tecnológico, sócio-humano, político-econômico, geoestratégico, tecnológico e informacional.

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Silvio Lemos Meira

Estamos Sendo Observados: E Daí?

Em um estudo de 2010, o TCU levantou que mais da metade das instituições públicas fazia software de forma amadora; mais de 60% não tinham política e estratégia para informática e segurança de informação; 74% não tinham nem mesmo as bases de um processo de gestão de ciclo de vida de informação. Identificar os problemas nacionais associados ao ciclo de vida da informação, quer pública ou privada, e sair, sem um plano de longo prazo, para lançar satélites e cabos de fibras óticas, e desenvolver sistemas, cujas definições e modelos de negócios são difusos ou inexistentes, é quase uma certeza de que não estaremos resolvendo os problemas.

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Fábio Wanderley Reis

O Outono Quente e as Estações que Seguem

O desafio é entender a explosão e a natureza das manifestações de junho no ineditismo de suas dimensões e de vários dos seus traços. Em vez da ênfase nos ingredientes de afirmação democrática e na motivação nobre que teria movido os manifestantes, a melhor explicação para os eventos de junho provavelmente depende da atenção para uma possibilidade banal. É possível que as manifestações em suas dimensões especiais tenham sido, em boa medida, fúteis ou uma mera imitação das irrupções anteriores (e simultâneas) em outros países, após deflagrada com êxito pelo Movimento Passe Livre.

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Plínio de Arruda Sampaio Júnior

Jornadas de Junho e Revolução Brasileira

As manifestações que ocorreram no Brasil não estão isoladas das turbulências sociais e políticas provocadas pela crise econômica mundial. Elas constituem uma nova frente de reação dos que vivem do trabalho às investidas do capital sobre os
direitos dos trabalhadores, as políticas públicas e a soberania dos Estados nacionais. As Jornadas de Junho fazem parte do mesmo processo de revoltas e revoluções populares que colocam em xeque as bases sociais e as políticas da ordem global em diferentes regiões do mundo.

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Alberto Cardoso

Surpresa: Somos Espionados!

De acordo com declaração do ministro da Defesa, Celso Amorim, em julho de 2013, “estamos ainda na infância, não é nem adolescência. A situação em que a gente se encontra hoje é, realmente, de vulnerabilidade”. Nossa capacidade de defesa cibernética é 1 (menos) na listagem de um índice internacional de avaliação que vai de 1 a 6. O que quer dizer que não atingimos sequer a nota mínima, enquanto a Índia apresenta o índice 2,5. A partir de 2010, a defesa cibernética ganhou status de assunto estratégico prioritário no âmbito do Ministério da Defesa, com a constituição, no Exército, de um núcleo destinado a iniciar a formação e o aperfeiçoamento dos recursos humanos, o acúmulo de conhecimento, o desenvolvimento da doutrina, a capacidade de atuar em rede, a realização da pesquisa científica e a coordenação das relações com instituições civis acadêmicas e empresariais.

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Joaquim Falcão

O Vazamento da Legitimidade

A espionagem que os vazamentos revelaram aponta para graves violações de soberania, mas sem punições possíveis em nível da relação entre Estados. A única reação possível parece ser: a erosão de legitimidade da liderança americana diante da opinião pública global. Daí a importância destes múltiplos processos judiciais como alimentadores de outro processo: o de desgaste da legitimidade da liderança americana. Os Estados Unidos não respeitariam, em nível global, os próprios valores constitucionalizados. Houve um vazamento de legitimidade.

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Luiz Fernando Moncau

Tecnologia Para Quê? Democracia e Autoritarismo em Tempos de Manifestações

O uso das novas tecnologias pode desempenhar papel importante na articulação da população em torno de um debate mais maduro sobre o futuro da coletividade, bem como na mobilização dos cidadãos para lutar por direitos. Por outro lado, a mesma infraestrutura tecnológica pode servir para reforçar posições dominantes dos poderosos e tornar ainda mais vulneráveis os mais fracos. O uso da tecnologia vem sendo incorporado ao Estado não apenas para viabilizar processos democráticos e tornar a gestão da máquina pública mais eficiente, mas também para monitorar e fiscalizar o comportamento dos cidadãos.

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Antonio de Aguiar Patriota

O Mercosul e a Integração Regional

Alguns analistas têm apontado para suposta “paralisia” do Mercosul. A realidade, entretanto, não corresponde a essa avaliação. Os resultados do Mercosul são positivos, concretos e reais. Apesar dos efeitos negativos globais da grave crise econômica de 2008, o desempenho do intercâmbio intrazona é superior ao do comércio internacional. De 2008 a 2012, o comércio global cresceu 13%, de US$16 trilhões para US$ 18 trilhões. No mesmo período, a corrente de comércio entre os membros do Mercosul cresceu mais de 20%, passando de US$ 40 bilhões para US$ 48 bilhões.

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